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Após polêmicas, Globovisión é vendida a empresário

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Após muitos rumores e polêmicas girando em torno do destino da Globovisión, nesta segunda-feira, 13 de maio, por conta de problemas financeiros, foi concretizada a venda da emissora. Por meio de nota, Guillermo Zuloaga, ex-dono, confirmou que a transação foi acertada e que agora em diante, Juan Domingo Cordero, ex-presidente da Bolsa de Valores de Caracas e acionista majoritário da seguradora La Vitalicia, uma das maiores empresas do setor na Venezuela, entre outros executivos, são os novos donos do canal de TV. Cordero é tio de Ana Julia Thomson de Zuloaga, mulher de Guillermo Zuloaga, ex-presidente da emissora. Apesar de suas ligações familiares serem de oposição ao governo, segundo boatos, o novo presidente seria ligado ao chavismo nos bastidores.

A mudança na gestão da Globovisión já vai ter implicações diretas em relação à linha editorial do veículo. Segundo Leopoldo Castilho, um dos novos diretores e apresentador do programa Aló, Ciudadano - uma resposta clara ao “Aló, presidente” comandado durante anos nos meios de comunicação por Chávez- uma postura mais centrista vai ser adotada. “A Globovisión que conhecíamos que vivíamos nos últimos 12 anos, não é a Globovisión que vamos viver. Eu quero colocar as coisas claras. Os outros rumores são mentira”, disse aos funcionários da emissora.

Em contrapartida, um dos novos diretores é Vladimir Villegas, que já exerceu vários cargos no governo de Hugo Chávez, um deles como embaixador da Venezuela no Brasil. Villegas é irmão do ministro da Informação e Comunicação, Ernesto Villegas, e, apesar de ser dirigente do partido opositor Avançada Progressista, é tido por mais moderado do que Castillo. Atualmente, a Globovisión tem alcance apenas a Caracas e à cidade de Valencia, próximo a capital, mas o sinal, também, fica disponível em toda a Venezuela como TV paga e pela internet.

Relação turbulenta

Nos últimos 14 anos de governo de Hugo Chávez, a emissora ficou marcada por inúmeros embates políticos contra o governo chavista. Um dos episódios, que ficou mais conhecido em retratar a polêmica relação entre o chavismo e a Globovisión, foi em 2002, quando o canal de TV recebeu duras críticas do governo alegando apoio ao golpe de Estado naquele ano, quando Hugo Chávez ficou dois dias fora do poder. Outro fato relevante aconteceu em 2010. Guillermo Zuloaga disse publicamente que estaria sendo perseguido pelo governo e, por isso, fugiu do país rumo aos EUA. No entanto, o ex-presidente da Globovisión fugiu após a emissão de um mandado de prisão contra ele, segundo admitiu a diretora de relações institucionais da emissora, Edith Ruiz. Sob a acusação de usura e associação criminosa, Zuloaga teria escondido 24 carros, de forma irregular em sua própria residência, para especular com o preço dos veículos em uma concessionária.

Além disso, a Globovisión sofre vários processos administrativos por parte do governo do ex-presidente Chávez, morto no dia 5 de março em decorrência de um câncer na região pélvica, e já foi ameaçada de ser fechada em várias ocasiões. No ano passado, o governo cobrou US$ 2,6 milhões do canal, acusando-o de ter “incitado a criminalidade” ao cobrir uma rebelião carcerária em 2011 que deixou dezenas de mortos.

Eleições 2013

O mesmo clima de polêmica presente na relação entre a emissora e o governo chavista, também, marcou presença durante a campanha eleitoral 2013. Os meios de comunicação se tornaram a principal arena de disputa, principalmente, após as conturbadas eleições de 14 de abril. Marcadas por forte polarização política, a Venezuela vive um clima de tensão, sobretudo, após o candidato opositor, Henrique Capriles, solicitar a auditoria dos resultados da eleição, que reconheceram a vitória do governista Nicolás Maduro. O embate político entre os dois candidatos ganhou cena na emissora estatal, Venezolana de Televisión (VTV), e a privada, Globovisión. Enquanto que na emissora estatal, a oposição era retratada como violenta e golpista, na privada, por sua vez, noticiava que o governo “roubou as eleições”.

Outra polêmica durante as eleições aconteceu no final de abril. Enquanto Capriles fazia um pronunciamento denunciando na TV transmissões que o acusavam pelas mortes dos protestos de 15 de abril, foi interrompido por um pronunciamento obrigatório. Recentemente, no dia de maio, quando foi anunciada a venda da emissora Globovisión, Nicolás Maduro chegou a declarar que seus antigos donos “sabiam que perderiam as eleições e começaram a vender a Globovisión há três meses”. O presidente pediu então “um tipo de televisão que diga a verdade, que não estimule o ódio, uma televisão humana”.

Meios de comunicação opositores ainda são maioria

Apesar de os opositores ao governo alegarem que a venda da emissora Globovisión a um empresário que seria simpático ao chavismo poderia ocasionar a perda de um importante canal onde opiniões contrárias ao governo possam escoar, os dados sobre audiência refletem que outras emissoras opositoras são mais vistas. Segundo dados da ONG Espaço Público, a Globovisión marca cerca de quatro pontos de audiência, enquanto a Televen, é o segundo canal mais assistido do país, com 15 pontos de audiência, perdendo apenas para a Venevisión, que emplaca 26 pontos em média de audiência. Segundo dados do Ministério da Comunicação da Venezuela, atualmente 60% do espectro televisivo aberto é explorado por empresas privadas. Em 1998, quando Chávez entrou no poder, o número chegava a 80%. As empresas também são maioria na imprensa escrita, totalizando 80% dos jornais.

 

Publicado en: 15/05/2013.

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